Recortes Da Vestimenta No Brasil

Da proteção térmica às demarcações sociais: uma jornada cultural pelo vestir no Brasil

{"time":1790353397075,"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"\nJá se perdeu ao longo do tempo o\nmomento em que as sociedades humanas adotaram o hábito de vestir-se,\nprovavelmente por razões de proteção: a roupa como solução\ntérmica para o frio ou como segunda pele no trânsito cotidiano por\nmatas, galharias ou mesmo desertos. O que sabemos é que, há muito\ntempo, todos os seres humanos utilizam algum tipo de vestimenta, seja\nela feita de tecido, couro ou pele animal."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"\nPara\nalém de sua função de proteção, as vestimentas transformaram-se\nem signos culturais, demarcadores das diferentes\ncamadas sociais, econômicas e políticas, nos mais variados tempos e\nlugares. Seus significados enquanto produtos passaram a ser\ndeterminados também por valores afirmativos de identidade e\npertencimento."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"\nNesse contexto, destacam-se os\nmodismos, que estabelecem padrões e atribuem qualidades às roupas,\ncomo elegância e temporalidade, muitas vezes em detrimento de seus\naspectos funcionais, gerando um consumo predatório e a enorme\nquantidade de lixo resultante da cultura global do descarte."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"\nNo Brasil, os hábitos de vestir\nforam profundamente marcados pela colonização portuguesa e pela\ndeterminação de padrões europeus. As tradições dos grafismos\ncorporais e do vestir dos povos originários sofreram processos de\naculturação e apagamento, enquanto às populações africanas\nescravizadas foram impostas vestimentas pelo colonizador. Apesar\ndesses processos excludentes, influências, características e\npeculiaridades de ambas as culturas deixaram profundos e amplos\nregistros nos modos de vestir da população brasileira. A presença\nestética portuguesa, com suas tradições e seus costumes\nindumentários, foi posteriormente acrescida por grandes fluxos\nmigratórios de italianos, espanhóis, libaneses, franceses e\njaponeses, entre outras nacionalidades e expressões. Esses\nentroncamentos contribuíram para a concepção das roupas do dia a\ndia, assim como daquelas destinadas ao trabalho e à vida social."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"\nParte do cotidiano de Maria Luisa\nAmericano (1917–1972), a quem esta exposição presta homenagem,\npermite aproximar a história das práticas habituais do coser e\nvestir. Em sua residência, como em muitas casas de seu tempo, havia\numa sala dedicada à costura. Todas as quintas-feiras,\ninvariavelmente, reunia um grupo de amigas para confecção de\nroupas, sobretudo, peças para as comunidades necessitadas."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"\nMuitos recortes da história da\nroupa no país foram experiências rotineiras de moldar, cortar e\ncosturar. Influências e estéticas foram absorvidas, misturadas, e\nas demarcações sociais estabelecidas, dificultando ainda mais\nqualquer tentativa de encontrar uma resposta definitiva para a\npergunta onipresente: “Com\nque roupa eu vou?”"}}],"version":"2.18.0"}