Maria Luisa e Oscar

Maria Luisa e Oscar se conheceram em meados dos anos 1930, no Rio de Janeiro, por intermédio de um primo dele. Casaram-se em 27 de março de 1937, viveram juntos por 35 anos e tiveram cinco filhos: Anna Helena, Anna Luíza, Anna Cecília, Oscar Neto e Anna Elizabeth, além de quatorze netos(as). O afetuoso companheirismo e a cuidadosa atenção mútua foram traços marcantes na interação do casal. Ambos experimentaram uma infância feliz e movimentada. Em meio à pluralidade de olhares e estímulos, cresceram em famílias numerosas, das quais, certamente, absorveram valores humanísticos e culturais decisivos, que vieram a se expressar em suas escolhas e conduta. Fizeram incontáveis viagens e se alegravam em reunir os familiares e amigos. Promoveram, regularmente, ações em prol do bem-estar coletivo, sobretudo, nas áreas da saúde, não somente por meio de significativas doações, mas, também, na estruturação de entidades hospitalares e de acolhimento. 

Maria Luisa nasceu em 30 de abril de 1917, no Rio de Janeiro, quarta dos quatorze filhos(as) de Maria Isabel Dale e de Bernardo José Ferraz. Estudou no tradicional Colégio Sion, em Petrópolis, RJ, e logo após terminar os estudos secundários, casou-se com Oscar, mudando-se para São Paulo. Havia reconhecida beleza e elegância na sua presença e transitava com simplicidade e alegria no convívio diário. Era extremamente zelosa em relação à educação das(o) filhas(o) e netos(as), assim como nas imensuráveis providências que as rotinas das casas demandavam. Atuou decisivamente na concepção do parque e da residência no então distante bairro do Morumbi. 

Oscar nasceu em 27 de março de 1908, em São Paulo, segundo dos cinco filhos(as) de Ermelinda Ramos e Oscar Americano de Caldas. Sua família materna era de Curitiba, PR, e a paterna do sul de Minas Gerais. Desde a infância, muitas conversas e focos de atenções ao seu redor se direcionavam às necessidades de edificações e obras. Cresceu em um ambiente de extremo empreendedorismo e produtividade, tendo o seu dia-a-dia marcado por exemplos de mulheres e homens fortemente comprometidos com o desenvolvimento social do Brasil, como o de seu pai, que, em 1897, com apenas 21 anos de idade, abria uma empresa de saneamento em São Paulo. 

Conviveu de perto com dois tios engenheiros de grande prestígio, Manoel Guimarães Carneiro, seu padrinho, e Miguel Frederico Presgrave, ambos casados com suas tias, assim como com Vital Brazil Mineiro da Campanha, cientista descobridor da especificidade dos soros antivenenos, fundador do Instituto Butantan (1899) e irmão de seu pai. Nessa época, mesmo sendo ainda um menino, pôde observar o trabalho de personagens ímpares na história da engenharia, arquitetura e urbanismo sanitário do país, entre estes, dois dos mais próximos amigos de seus tios, Victor Dubugras, considerado precursor do modernismo arquitetônico na América Latina, e Francisco Rodrigues Saturnino de Brito, Patrono da Engenharia Sanitária e Ambiental do Brasil. 

Oscar estudou nos colégios Franco-Brasileiro e São Luís. Ingressou em 1926 na Escola de Engenharia Mackenzie, onde se formou como Engenheiro Civil no final do ano de 1930. A colação de grau de sua turma ocorreu em Março de 1931.

Em Julho de 1932, com a eclosão da Revolução Constitucionalista – o maior conflito armado brasileiro do Séc. XX, em que São Paulo, imbuído de ideais democráticos, lutou contra a Ditadura imposta por Getúlio Vargas -, alistou-se como voluntário no Instituto de Engenharia de São Paulo, incorporando-se ao Batalhão Voluntários de Piratininga, que atuou no front norte, na região de Queluz (SP), junto à divisa do Estado do Rio de Janeiro. Contudo, durante o conflito, por Decreto do Governo Paulista, e assim como outros engenheiros, deixou o front em 01/09/1932 para atuar como Auxiliar Técnico na Delegacia Técnica de Vargem Grande (SP). Nas Delegacias Técnicas eram exercidas atividades estratégicas, tanto para a retaguarda como para as linhas de frente, com relevantes funções relacionadas à logística, à comunicação, à defesa civil, ao abastecimento, à fiscalização/armazenamento de mantimentos e combustíveis, dentre outras atribuições que exigiam profissionais bem qualificados ao esforço de guerra nos vários municípios do Estado de São Paulo. Assim foi, até o final do conflito em 02/10/1932.

Quanto à sua trajetória profissional, iniciou suas atividades em sociedade com o pai, no Escritório Técnico Oscar Americano, tornando-se posteriormente um dos principais empresários da construção pesada no país. À frente da CBPO – Companhia Brasileira de Projetos e Obras, foi pioneiro na introdução de máquinas de terraplanagem e no uso de tecnologias aplicadas à realização de grandes obras públicas, destacando-se no planejamento e na execução de projetos de grande escala voltados ao desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

Maria Luisa faleceu em 27 de abril de 1972, no Rio de Janeiro, a poucos dias de completar 55 anos de idade. Em 27 de março de 1974, dois anos após, Oscar instituiu a Fundação que leva o nome de ambos. Faleceu logo em seguida, em 15 de junho, aos 66 anos de idade, em São Paulo. 

Maria Luisa e Oscar foram, antes de tudo, um casal do seu tempo e do seu país, sobretudo, quando acalentaram a ideia de legar as obras de arte e o conjunto arquitetônico-paisagístico composto pela sua residência, onde viveram por cerca de 20 anos, para São Paulo e para o Brasil.