Exposição Fernando Pessoa de 11 de Junho até 5 de Agosto

na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano.

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NOTA BIOGRÁFICA

 

Lisboa, 30 de março de 1935

 

Nome completo: Fernando António Nogueira Pessoa.

 

Idade e naturalidade: Nasceu em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.° 4 do Largo de S. Carlos (hoje do Directório) em 13 de Junho de 1888.

 

Filiação: Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim António de Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto e que foi director-geral do Ministério do Reino, e de D. Madalena Xavier Pinheiro. Ascendência geral — misto de fidalgos e de judeus.

 

Estado: Solteiro.

 

Profissão: A designação mais própria será «tradutor», a mais exacta a de «correspondente estrangeiro em casas comerciais». O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação.

Morada: Rua Coelho da Rocha,16,1.° dt.°, Lisboa.

 

(Endereço postal — Caixa Postal 147, Lisboa).

 

Funções sociais que tem desempenhado: Se por isso se entende cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas.

 

Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações ocasionais. O que, de livros ou folhetos, considera como válido, é o seguinte: «35 Sonnets» (em inglês), 1918; «English Poems III» e «English Poems III» (em inglês também), 1922, e o livro «Mensagem»,1934, premiado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, na categoria «Poemas». O folheto «O Interregno», publicado em 1928, e constituindo uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que repudiar muito.

 

Educação: Em virtude de, falecido seu pai em 1893, sua mãe ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali ducado. Ganhou o prémio Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.

Ideologia política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário.

 

Posição religiosa: Cristão gnóstico, e portanto inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais diante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.

Posição iniciática: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templária de Portugal.

 

Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo mítico, de onde seja abolida toda infiltração católica-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: «Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação».

 

Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.

Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, grão-mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos—a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.

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FERNANDO EM PRIMEIRA (?) E TERCEIRA PESSOA

 

Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.

Cada sonho ou desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem,

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

 

Quantos eus possíveis em nós (incontornáveis e absurdos, desejados e camuflados, burilados e imprevisíveis) caberão dentro da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano – enquanto estivermos reunidos, no dia 11 de junho de 2022, para falar de Fernando Pessoa?

 

É quando, na sequência bimestral da Série Literária 2022, o poeta português mais querido entre os leitores brasileiros será homenageado.

 

Poeta que, fingidor, entretanto, não será homenageado sozinho: mas junto a Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e vasto etc. – um etc. composto, inclusive, por outras dezenas de heterônimos; personalidades com passados e pontos de vista variados, pessoas impregnadas de diferentes estilos e de ideias.

 

Estarão presentes nessa jornada sobre o grande poeta português:

 

– o pesquisador e editor Antonio Cardiello, de Portugal, que irá abordar o mito plural de Fernando Pessoa.

 

– o poeta, ensaísta, crítico, tradutor e editor Alexei Bueno, do Rio de Janeiro, que, após uma breve palestra, irá declamar e analisar alguns dos poemas mais representativos de Pessoa.

 

– o professor e autor Caio Gagliardi, coordenador do grupo de pesquisa Estudos Pessoanos, apresentará o lirismo intelectual de Pessoa.

 

– a poeta, atriz, cantora, jornalista e professora Elisa Lucinda, natural do Espírito Santo e radicada no Rio de Janeiro, que irá falar de seu livro Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada.

 

E os adjetivos “múltiplos”, “distintos”, “inúmeros”, “vários”, das infinitas hipóteses que todo ser humano contém, também marcarão presença ao tratarmos de Fernando em primeira (?) – através de sua(s) voz(es), emprestada(s) aos leitores – e em terceira pessoa.

 

Difícil tarefa tinha, certamente, todos os dias, o espelho de Fernando Pessoa: encarando-o, de volta, com: quem? Com quais e com quantos pares de olhos?

 

Mas qual espelho, talvez, não tenha difícil tarefa igual?

 

Quais e quantos pares de olhos trocaremos, uns com os outros, dentro da arquitetura modernista da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano?

 

Quantos eus incorpóreos (com ou sem máscara?) podem ocupar e experimentar as poltronas de determinado espaço físico?

 

FELIPE FRANCO MUNHOZ

RODRIGO LACERDA

Curadoria da Série Literária

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FERNANDO PESSOA – RECORTES E COLAGENS

EXPOSIÇÃO

Fernando Pessoa – Recortes e Colagens foi concebida e montada a partir de retalhos iconográficos, fotografias e documentos, costurados por informações entremeadas com poemas e escritos do autor homenageado. Proporciona uma breve visita ao cotidiano, cenários, heterônimos, ideias, laços afetivos e curiosidades acerca da trajetória deste luminar da literatura. Os diferentes períodos de vida e temas relevantes são apresentados em painéis caprichosamente desenhados. A leitura de Pessoa no Brasil foi também contextualizada.  

 

A inspiração para esta mostra brotou como uma cuidadosa preparação de peças ilustrativas para uma conversa saborosa, sobre alguém extraordinariamente interessante, em momento agradável, entre amigos. Envolveu grande alegria produzir e pensar em compartilhar os pequenos garimpos e belezas com o público visitante.   

 

Surge então, assim como aconteceu com Shakespeare, em abril, este diálogo com a Série Literária, que demarca um novo tempo da programação cultural da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano. 

CRÉDITOS E AGRADECIMENTOS

VAMOS FALAR DE... FERNANDO PESSOA

 

Fundação Maria Luisa e Oscar Americano 

Direção Cultural

Eduardo Monteiro 

Curadoria 

Felipe Franco Munhoz

Rodrigo Lacerda

Produção Executiva 

Érico Vital Brazil 

Design 

Flávio Scramignon 

Inês Lampreia 

Nina Gaul 

Comunicação e divulgação 

Léa Penteado 

Maria Clara Cacaia Jorge 

Road Marketing Digital 

Assistência de Produção 

Hugo Gomes 

 

Gostaríamos de registrar nossos agradecimentos a todas e a todos que, de maneira direta e indireta, contribuíram para a concepção e realização deste encontro literário. Em especial aos convidados palestrantes e às pessoas responsáveis pelo dia a dia da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano. 

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